SELETIVA 2007: 77KG

De todas as seletivas desde 2000, só houve um bicampeão: Marcio Cruz, o Pé de Pano. Pois na categoria até 76 Kg este ano, dois ex – campeões buscavam defender (ou recuperar) seus tronos. Roan Jucão Carneiro, que participou de todas as cinco seletivas e venceu em 2005, observava: “Hoje está muito mais profissional, e o nível é muito alto. Só atleta de elite e muita gente querendo os petrodólares!”. Com isso, era normal ver, em todas as divisões de peso, clássicos do jiu – jitsu ou batalhas decididas nos detalhes, como a vitória de Rominho Barral sobre Thales Leites, a derrota do favorito Rubens Charles Cobrinha para o experiente Marcelo Bocão e...a eliminação do próprio Jucão por Marcelo Uirapuru. Já o campeão de 2003, Daniel Moraes, mostrava porque eliminara Marcelinho Garcia naquela final na AABB, há quatro anos, e apresentava um jogo sólido quase à prova de erros. Quase, porque na final Daniel encontrou André Galvão, numa luta que trouxe o interessante duelo de Royler Gracie e Léo Vieira no corner.

Barba rala, panturrilha direita tatuada com o símbolo da extinta T.T. jiu – jitsu, Galvão retornava após derrota na seletiva de dois anos atrás (6 a 0 para Jucão). “Desta vez vim bem mais preparado. O Leozinho me deu uma puta sorte, amadureci sem kimono, e ainda fiz um trabalho importante com o nutricionista: após pesar 76,8 Kg, lutei já com 81 Kg e me sentindo ótimo”, disse a fera de 24 anos. Como prova da boa fase, o lutador natural de São Sebastião passou por André Bastos, pegou o colega Felipe Lingüiça no mata – leão , finalizou Rafael dos Anjos numa chave de calcanhar e pegou o visto para as finais ao dar uma blitz em Miltinho Vieira na prorrogação, aprisionando o lutador do Deep no triângulo, puxando – lhe a perna e depois intervendo e atacando a americana fatal.

Após o intervalo no evento, com direito a um minuto de silêncio em homenagem a Carlson Gracie e atletas perfilados para o hino nacional, foi a hora de Galvão e Moraes honrarem os versos de “Verá que um filho teu não foge à luta”. Como mandava o figurino, porém, na primeira metade da finalíssima, de 16 minutos, quando ainda não contam pontos, a movimentação começou dosada. Com Daniel Moraes e seu quadril pétreo por cima, André Galvão mal se mexia, mas mostr.ava que não desistiria até o fim. E, com quase 12 minutos de luta, enfim raspou. Foi a senha para partir para cima e atacar, aos gritos de “empacota!” da torcida. Galvão então pôs o joelho na barriga de Daniel três vezes, montou em duas ocasiões, levou um upa e terminou com um elástico surpreendente 16 a 2. A comemoração foi com os braços estendidos imitando um aviãozinho até Abu Dhabi, ou melhor, Nova Jersey.

Diante dos resultados recentes, que incluem uma vitória sobre Pé de Pano no Brasileiro de equipes de jiu – jitsu, Galvão teve de responder a perguntas cabeludas como: “Se você lutasse hoje com Marcelino, o atual bi-campeão da categoria no .ADCC, como seria?”. Galvão: “Com um kimono (risos)?” Bem, ele é um osso duro, não tem como eu dizer que vou ganhar. Minha vantagem é que estou chegando agora, enquanto o jogo dele é mais conhecido e pode ser melhor estudado pelos adversários.”, encerra André, medalha de ouro no peito e um cacho com cinco bananas na mão. Prêmios mais que merecidos.

Fonte:

  • Revista Top Figth - Especial ADCC 2003 - Programa oficial do evento (Maio 2003).
  • Revista Gracie Magazine - A História Ilustrada do ADCC 2007 - Nº 123 (Maio 2007).
  • Revista Nocaute - Ano VI - Por Marcelo Dunlop (Fevereiro 2007.

Assessora de imprensa:
Carla Ramos imprensa@adccbrazil.com.br

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